Entrevista – Pesquisador do mês: Antonio Virgilio Bastos

•Maio 10, 2009 • Deixe um comentário

A cada mês, um pesquisador da Universidade Federal da Bahia é homeneageado por seu trabalho.

O pesquisador do mês de maio é o professor do Instituto de Psicologia  Antonio Virgílio Bastos, pesquisador I-A do CNPq, atuando principalmente em temas da área de Comportamento Organizacional. O CULTCIEN apresenta um trecho desta entrevista:


1. Professor Virgílio, o que despertou seu interesse pela Psicologia e pela Pesquisa?

Minha escolha pela Psicologia não se deu de forma muito diferente do que acontecia naquela época (1971), algo que, em linhas gerais, ainda continua sendo o padrão dominante daqueles que buscam este campo. A imagem social da Psicologia é extremamente limitada e fortemente associada à atividade clínica, psicoterápica, que nunca me atraiu de fato. Apesar de todas as mudanças e ampliações que ocorreram ao longo das últimas décadas, ainda há uma imagem forte que termina guiando a escolha pela Psicologia.

Naquela época, isto era ainda mais difícil por ser um curso muito novo entre nós, ainda sem nenhum profissional formado. A imagem social era pouco clara e compartilhada. Minha escolha se deu muito mais em função da exclusão de alternativas dentro de um campo limitado por ter feito o curso clássico, no Colégio Antonio Vieira, e ter me dirigido para o vestibular da área de Humanas. Terminei ficando entre Administração e Psicologia. Depois de formado não é que vim a me dedicar à Psicologia Organizacional e do Trabalho? E, hoje, sou professor do Instituto de Psicologia, mas atuo há mais de vinte anos no Programa de Pós-Graduação em Administração.

Outro elemento importante é que, talvez ate inconscientemente, eu já sabia que seria professor e pesquisador. O campo profissional propriamente dito nunca exerceu um maior fascínio sobre mim e não foi decisivo para a escolha da área.


2. Professor, o Senhor é bastante reconhecido por seu trabalho de pesquisa envolvendo técnicas e métodos quantitativos. Essa é uma vocação comum entre os psicólogos? De onde vem então essa sua competência?

Predominantemente utilizo estratégias de mensuração e análise que são quantitativos. Mas tenho em relação a estas questões metodológicas uma postura bastante pragmática. Tais decisões devem ser tomadas em função das nossas questões de estudo. Neste sentido, também tenho utilizado estratégias qualitativas e, não é raro o interesse em confrontar diferentes estratégias para estudar um mesmo fenômeno.
Ainda assim, se olharmos a minha produção como um todo, há um predomínio de estudos quantitativos. Mas, os últimos dez anos, compatível com uma abordagem mais construcionista e cognitivista para os fenômenos psicossociais em contextos organizacionais e de trabalho, levaram-me a combinar estas diferentes estratégias.

O estereótipo da psicologia é que ela lida com um mundo de subjetividade, impossível de ser apreendido a partir de abordagens quantitativas. Isto não corresponde efetivamente ao padrão dominante da pesquisa em psicologia, sobretudo a internacional, em que predominam abordagens quantitativas muito sofisticadas. No meu campo específico, a Psicologia Organizacional e do Trabalho, o domínio desta abordagem é muito forte. Mas ela não se restringe a esta área. Outras áreas da Psicologia apresentam o mesmo perfil metodológico de investigação. No entanto, a Psicologia é um espaço de grande dispersão e interfaces. Há fortes vertentes e campos em que abordagens qualitativas predominam.

Desde o meu mestrado, voltei-me para o estudo de métodos quantitativos. A dissertação envolveu construção e validação de instrumento. No doutorado já utilizei abordagens quantitativas e qualitativas. Mas também lá tive um razoável treinamento em estatística aplicada à Psicologia.

No entanto, a minha história de professor de metodologia me faz um interessado em questões metodológicas. Creio que este é um domínio importante para pesquisa e estudos, pois método não pode ser visto como uma camisa de força a sufocar a criatividade e os desafios postos pelos problemas. Sou um defensor do rigor metodológico que, para mim, não pode ser tomado como sinônimo de uso de estratégias quantitativas.

6. Como o Senhor vê a atividade de pesquisa e sua evolução na academia brasileira da sua área ao longo dos anos?

A Psicologia não pode ser comparada a áreas hard das ciências exatas, biológicas e da saúde. É um campo mais novo e com um desenvolvimento mais recente. Trata-se, também, de um campo com grande diversidade interna, com interfaces com inúmeros outros domínios e, portanto, com padrões de produção científica que ora se aproximam das ciências biológicas, ora das ciências sociais aplicadas, ora das ciências da saúde e, mesmo, da filosofia e das artes. É, portanto, um campo com características muito singulares e que exige políticas específicas para o seu crescimento.

Como campo de formação pós-graduada, a Psicologia tem crescido bastante nos últimos anos. Na última avaliação trienal éramos 53 programas de pós-graduação no país. Hoje já somos 65 e podemos terminar o triênio com 72. Este crescimento não eliminou a grande desigualdade regional, com a excessiva concentração de cursos no sudeste, especialmente São Paulo. Há um conjunto de cursos de excelência que tornam praticamente desnecessário o envio de alunos para doutorados plenos no exterior. Temos, portanto, uma boa cobertura das diversas subáreas que integram o campo, apesar de alguns desequilíbrios visíveis.

Como campo científico, a Psicologia também tem revelado crescente vigor, com a ampliação dos grupos de pesquisa, a constituição de inúmeras redes, o aumento dos indicadores de produção, o aumento do número de bolsistas de produtividade do CNPq. Trata-se de um domínio em que já há subáreas com bom índice de internacionalização, o que não é, contudo, o padrão de toda a área.

Na academia, a Psicologia vivencia, ainda, a tensão entre uma formação profissional, muitas vezes tecnicista e dirigida para um foco de problema, e uma formação científica. Esta polaridade nem sempre é bem equacionada pelos currículos de formação. Aqui estou me reportando às instituições públicas e algumas confessionais em que a pesquisa já se encontra inserida. O maior problema da área, contudo, é que a grande maioria dos profissionais formados é egressa das instituições particulares que, regra geral, não desenvolve a pesquisa como uma dimensão básica da formação, mesmo do profissional em psicologia. Este é um quadro que precisa mudar com urgência, não apenas para fortalecer a comunidade científica da Psicologia, mas, sobretudo, para assegurar uma formação de maior qualidade ao psicólogo que lidará com as demandas da sociedade.

Entrevista completa em

http://www.portal.ufba.br/pesquisador_mes/

Link para currículo lattes

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=W90354

Workshop “Evolution MegaLab”

•Maio 9, 2009 • Deixe um comentário

A Ciência Viva está a assegurar a coordenação nacional do Projecto Evolution MegaLab, dirigido ao público de todas as idades, no âmbito das comemorações do Ano de Darwin.

Esta iniciativa, que envolve já 14 países, tem por objectivo a observação, classificação e registo on-line de caracóis da espécie Cepeae nemoralis (caracóis com bandas), constituindo um Mega-estudo em Biologia Evolutiva.

Este projecto é coordenado pela Open University, do Reino Unido, com o apoio da Royal Society e do British Council, e dará lugar a uma publicação científica numa revista de referência. Trata-se de um exemplo da recente tendência de ciência feita pelos cidadãos (citizen science) em que esperamos que o nosso País possa vir a ter uma participação activa.

Data: 15 e 16 de Maio de 2009

Local: Museu Mineralógico e Geológico da UC

Público-alvo: Centros Ciência Viva + outras instituições/ parques, reservas naturais, e associações de divulgação científica

Objectivos do Workshop:

  • Conhecer o Projeto Internacional Evolution MegaLab, explorando as diversas funcionalidades do Website do projecto.
  • Desenvolver competências de identificação e localização geográfica dos caracóis do género Cepaea.
  • Promover o levantamento do polimorfismo dos caracóis C. nemoralis pela população portuguesa com o máximo de rigor científico possível.
  • Identificar estratégias e desenvolver um pequeno projecto na sua comunidade, envolvendo-a no Projecto Evolution MegaLab.

Maiores informações em:

http://www.darwin2009.pt/naturalista/megalab/workshop.asp

Lançamento de Livro – Simpósio Internacional de Psicologia Evolucionista

•Maio 9, 2009 • Deixe um comentário

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Ocorreu entre 19 e 24 de abril o Simpósio Internacional de Psicologia Evolucionsta, em Natal, Rio Grande do norte (Evolucionary psychology at Millenium; Plasticity and adaptation International Simposium).

O evento foi realizado pelo Instituto do Milenium com apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, CNPq e Capes. Foi lançado durante o Simpósio o livro Fundamentos de Psicologia Evoluionista, organizado por Emma Otta e Maria Emília Yamamoto, com a colaboração de diversos pesquisadores da área, como Eulina Lordelo e Ilka Bichara, do Instituto de Psicologia da Universidade Federal da Bahia.

Abril em retrospectiva – Instituto de Psicologia UFBa

•Maio 4, 2009 • Deixe um comentário

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Foi realizada no dia 14 de abril deste ano, no salao nobre da reitoria da Universidade Federal da Bahia, a aula inaugural do recém criado Instituto de Psicologia, com o tema: O INSTITUTO DE PSICOLOGIA NA UFBA: INÍCIO DE UMA NOVA TRAJETÓRIA.

O evento contou com a palestra “A trajetória da Psicologia da UFBA”, proferida peloProf.  Antônio Virgílio Bittencourt Bastos, da UFBA. Foram convidados o Prof. Oswaldo Hajime Yamamoto (UFRN), que realizou uma apresentação cujo tema foi “A construção histórica dos cursos de Psicologia no Brasil e no Nordeste” e também a Profa. Dra. Marilda Villela Iamamoto (UFRJ), que apresentou “A construção histórica dos cursos de Serviço Social no Brasil e no Nordeste”.

O evento foi prestigiado pelos estudantes de Psicologia e do novo curso de Serviço social da UFBA, e contou também com a presença de estudantes do curso de Psicologia da Universidade Federal do Reconcavo, do interior da Bahia.

na foto os professores: Marcos Emanoel (UFBA), Oswaldo Yamamoto (UFRN), Ilka Bichara (UFBA), Marilda Iamamoto (UFRJ), Sonia Gondim, Mauro Magalhães, Patricia Alvarenga e Antonio Marcos Chaves (UFBA).

•Março 30, 2009 • Deixe um comentário

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O psicólogo cognitivo e linguista canadense, Steven Pinker iniciou o ciclo de palestras Fronteiras Brakem do Pensamento em Salvador no dia 24 de março. A conferência Linguagem, Mente e natureza humana ocorreu no Teatro Castro Alves às 20:00.

Entre os temas abordados numa exposição de uma hora, Pinker tratou de alguns aspectos da evolução e recursividade da linguagem e sua aprendizagem. As idéias apresentadas durante a palestra foram uma amostra do que podemos encontrar no mais novo livro de Pinker: “Do que é feito o pensamento”, que chegou ao Brasil no ano passado.

Steven Pinker atualmente é professor da Harvard, tendo ensinado, até o ano de 2003, no Departamento do cérebro e ciências cognitivas do MIT.

site: Steven Pinker

Para conhecer mais sobre o Fronteiras Braskem do Pensamento, saber os próximos convidados e temas das próximas conferências acesse site do Fronteiras.

Explicações evolucionistas sobre a mente e o comportamento humanos

•Fevereiro 28, 2009 • 1 Comentário
foto por James Balog

foto por James Balog

O Café Científico, promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências (UFBA/UEFS) e pela LDM – Livraria Multicampi, continua na LDM neste mês de março de 2009 com o evento:

9 de março de 2009 – 18:30

Eulina da Rocha Lordelo (Depto. de Psicologia, UFBA)

Explicações evolucionistas sobre a mente e o comportamento humanos

O Café Científico é um local em que qualquer pessoa pode discutir desenvolvimentos recentes das várias ciências e seus impactos sociais. Ele oferece uma oportunidade para que cientistas e o público em geral se encontrem face a face para discutir questões científicas, numa atmosfera agradável.

O evento é inteiramente gratuito e não necessita de inscrição. O local é a LDM – Livraria Multicampi, na Rua Direita da Piedade, 20, Piedade. O Café Científico ocorre na segunda semana de cada mês, sempre às segundas-feiras, às 18:30 horas. O telefone da livraria é (71)2101-8000. Informações podem ser conseguidas também no telefone (71) 3283-6568.

Café Científico comemorativo no dia Darwin

•Fevereiro 5, 2009 • Deixe um comentário

darwin

No dia 12 de fevereiro, quando se comemora o Dia Darwin, ocorrerá o Café Científico com o tema: Peixes, répteis e nossos outros eus: as origens evolutivas das características dos mamíferos, na palestra ministrada pelo professor Pedro Luís Bernardo da Rocha (Instituto de Biologia, UFBA).

O Café Científico é um local em que qualquer pessoa pode discutir desenvolvimentos recentes das várias ciências e seus impactos sociais. Ele oferece uma oportunidade para que cientistas e o público em geral se encontrem face a face para discutir questões científicas, numa atmosfera agradável.

O evento é inteiramente gratuito e não necessita de inscrição. O local é a LDM – Livraria Multicampi, na Rua Direita da Piedade, 20, Piedade. O Café Científico ocorre na segunda semana de cada mês, sempre às segundas-feiras, às 18:30 horas. O telefone da livraria é (71)2101-8000. Informações podem ser conseguidas também no telefone (71) 3283-6568.

Maiores informações sobre o café científico de Salvador podem ser encontradas em http://cafecientificossa.blogspot.com

Informações gerais sobre a iniciativa dos Cafés Científicos podem ser conseguidas no seguinte sítio: http://www.cafescientifique.org.

 
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